
Foto: Adri Neira
Sentou-se na areia e olhou em frente o mar já negro de uma noite iluminada. Lá longe, ao fundo no mar, quase se percebia o continente, onde aquela hora, familiares e amigos comemoravam em folia, a passagem para um novo ano.
Ali sentada, rodeada pelo silêncio e paz constante, ela não sentiu falta, nem saudade. Era como se o ar que a envolvia, lhe trouxesse em segredo, uma vibração amorosa, um encanto vindo do espaço, qual mil mãos cuidadosas prestes a pegarem-lhe ao colo.
Fechou os olhos para memorizar, sem compreender, para simplesmente sentir e deixar-se levar…
De repente voava com leveza, como elfo sem asas, como um cisne de alva brancura, deslizando ao som do vento.
Há medida que subia a outras paisagens, debaixo do olhar atento da lua, um caminho sem fim, vislumbrou-se diante de si: estreito ao primeiro olhar, mas largo no horizonte, serpenteava por entre as nuvens, num convite à ascensão.
Pé ante pé, quase saltitando, ela percorreu o que lhe pareceu um jardim encantado, cheio de flores de imensas cores, de árvores frondosas que envolviam um lago sereno, onde se reflectiam os raios dourados da luz da noite.
Olhou o céu, e estrelas pequeninas que pareciam pontinhos brilhantes suspensos por mágicas mãos, sorriam e rodopiavam de alegria, numa linguagem sem forma, de viva emoção.
Passeou junto ao lago sem, aparente, companhia, mas numa conversa interior, animada, com a natureza, com o universo, com Deus…
E há medida que as horas passavam, que mais pareciam meses e anos, mas na realidade piscar de olhos na eternidade, ela percebeu que nada importa ser feito, nada conta senão o amor, aquele amor que inunda as veias da alma, aquele amor que inspira a trabalhar cada vez mais, pela transformação…de si mesma.
O tempo perdeu o seu tempo e sentido. O antes e o depois uniram-se num caminho apenas, e sem horas para chegar ou partir, ali ficou…